Combate à obesidade mórbida – Perca peso e ganhe saúde!

Por todo o Mundo, e o nosso país não foge à regra, tem-se registado um aumento preocupante de obesidade, fazendo desta doença um problema de saúde pública. Considerada pela Organização Mundial de Saúde como epidemia do séc.XXI, a obesidade é uma doença crónica que não distingue sexo nem idade, reduz dramaticamente a qualidade de vida e o bem-estar, provoca elevadas taxas de mortalidade e constitui um importante factor de risco para outras doenças como hipertensão, diabetes, entre outras. Os quilos demasiadamente em excesso e a obesidade condicionam dramaticamente a vida de algumas pessoas, afectando-as física e psicologicamente.

A cirurgia surge, então, como método mais eficaz no tratamento da obesidade grave ou mórbida, ajudando-as a recuperar a qualidade de vida perdida anteriormente. No entanto, é importante não esquecer que a obesidade é uma doença de origem multifactorial onde a cirurgia é parte da solução e não o todo. Jorge Limão, especialista em cirurgia bariátrica e metabólica, explica que “a cirurgia não significa a cura da obesidade. Para os doente a cirurgia é um objectivo, mas para nós, médicos, é parte do processo de tratamento”.

Existem, sim, operações que, incluídas num programa completo de tratamento da obesidade, podem aumentar dramaticamente a sua eficácia.

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Os candidatos ideias

As cirurgias de redução do estômago são uma resposta eficaz para a perda de peso, mas apenas para os casos mais graves ou para situações em que estão presentes complicações que colocam a vida em risco.

São candidatos para o tratamento cirúrgico as pessoas que possuam 45kg acima do peso ideal, ou índice de massa corporal (IMC) acima dos 40. Jorge Limão esclarece que “ excepcionalmente, a cirurgia pode ser indicada para pacientes com IMC entre 35 e 40 kg/m2 desde que sofram de doenças associdas ao problema de excesso de peso, como apneia do sono, diabetes e hipertensão, e que, com a operação, possam melhorar”. Mas não é só o índice da massa corporal que faz um candidato à cirurgia de redução do estômago, como normalmente é conhecida. “Estes pacientes são rigorosamente acompanhados, ao longo de meses, por uma equipa interdisciplinar composta por especialistas em cirurgia, medicina interna, cirurgia plástica, nutrição, endocrinologia, psicologia clínica, e a quem cabe decidir se a pessoa pode ser submetida ou não à intervenção cirúrgica”, informa o cirurgião da Baroclínica.

São consideradas, igualmente, critérios de selecção para a cirurgia a idade compreendia entre os 18 e os 60 anos, a ausência de determinadas doenças, a compreensão e aceitação do procedimento pelo doente, bem como a existência de risco operatório aceitavel.

Benefícios superam complicações

A perda de peso com a cirurgia não é igual em todos os doentes, variando de acordo com a idade, o peso inicial, a capacidade para a realização de exercício físico, a ingestão de calorias, o tipo de cirurgia efectuada, entre outros aspectos. Geralmente, a perda de peso ocorre num período entre 12-15 meses após a cirurgia. Se o doente cumprir rigorosamente o programa proposto para a diminuição e controlo de peso corporal, nomeadamente no que se refere aos hábitos alimentares e à prática de actividade física, a perda de peso poderá cifrar-se até cerca de 70 por cento de peso inicial.

Tão ou mais importantes que a perda de peso que a cirurgia promove, é a resolução ou melhoria das comorbilidades com origem na obesidade mórbida. “Além da perda de peso em excesso, a opçao pela cirurgia consegue tratar, melhorar ou curar as doenças que podem coexistir com a obesidade”. Afirma Jorge Limão. Como tal, a diabetes desaparece, a hipertensão arterial melhora em 50 por cento dos casos, a dislipidemia melhora e a acidez gástrica desapare ou diminui.

A cura ou melhoria das complicações da obesidade mórbida leva a uma melhor qualidade de vida, aumentando a auto-estima e a confiança.

Tipos de intervenções

A obesidade é, hoje, encarada como uma doença para qual existem várias abordagens. No âmbito da cirurgia bariática, a escolha do tratamento resulta do estudo e da avaliação multidisciplinar de cada caso. A decisão da operação deve partir exclusivamente do paciente e este deve aceitar o que lhe é proposto, comprrendendo as razões da operação e estar preparado para eventuais desconfortos e complicações próprias do acto cirúrgio, que em geral são mais frequentes nos obesos.

As cirurgias da obesidade proporcionam a perda de peso através de dois mecanismos que funcionam tanto separado como em conjunto; a este chama-se procedimento misto. Deste modo, a operação pode visar a diminuição da quantidade de alimentos que se ingere (restrição), fazer com que parte dos alimentos não sejam digeridos e completamente obsorvidos (má obsorção), sendo eliminados pelas fezes, ou diminuir a quantidade de alimentos ingeridos e fazer com que parte destes sejam mal digeridos e completamente absorvidos (mistas- restrição/má absorvação). Jorge Limão afirma que “ nessa perspectiva, a Baroclínica trabalha com três operações fundamentais: a banda gástrica, que funciona só por restrição pura, o sleeve gástrico, que mistura uma restrição com algum efeito harmonal, mexendo nas hormonas do apetite; e o bypass, que é a cirurgia mais eficaz, mais completa, mas também a mais agressiva e a que comporta mais riscos porque combina os dois mecanismos”. Descubra como funcionam as principais cirurgias bariátricas.

Banda gástrica ajustável– Este procedimento consite na colocação, por via laparoscópia, de um “anel” à volta do estômago, reduzindo a sua capacidade e causando a sensação de saciedade mais precocemente. O ajustamento da banda realiza-se através da injecção de soro fisiológico neste dispositivo, uma vez que o calibre (diâmetro) da mesma varia em função da quantidade de soro fisiológico presente no seu interior.

Gastrectomia em sleeve– Baseia-se na remoção de região esquerda do estômago, de onde resulta um órgao com uma capacidade bastante inferior. A parte do estômago que é removida é aquela que possui maior capacidade de distensão, adaptando-se à entrada de novos alimentos.

Bypass gástrico– Esta técnica associa um componente restritivo importante a uma alteração da digestão/absorção mais ligeira de que a dos procedimentos indutores de mal-obsorção. Neste sentido, é criada uma pequena bolsa gástrica que tem como objectivo limitar de uma forma importante a capacidade de ingestão. Para além das técnicas cirúrgicas, existe ainda outra intervenção frequentemente utilizada no tratamento da obesidade: o balão intragástrico (BIG). “Neste caso temos patameres de indicação diferentes, pois o balão intragástrico serve para tratar os extremos da obesidade”. Sustenta Jorge Limão. Por conseguinte, o BIG é utilizado nas situações de obesidade estética e na superobesidade como auxiliar da preparação pré-operatória para diminuir os riscos de morbilidade e mortalidade. Na obesidade mórbida pode ser usado se o doente não quiser ou não pode ser operado, embora os resultados sejam inferiores aos da cirurgia.

A escolha da técnica

Uma vez colocada a indicação cirúrgica, a escolha da intervenção que mais se adequa a cada caso concreto é decidida entre o cirurgião e o doente, em função das várias alternativas disponíveis. No final, o importante passa por oferecer ao doente a operação que melhor o serve , segundo os seus hábitos e necessidades. Na opinião do especialista, é necessário olhar para as operações como ferramentas e descobrir se o doente saberá utilizá-las quando alguma lhes for entregue. “Existem vários doentes e várias patamares da doença. Só depois do paciente ter sido avaliado do ponto de vista da sua conduta alimentar e da sua condição psicológica é que vamos perceber qual a ferramenta que ele saberá usar com eficácia”, afirma.

Para chegar a essa conclusão, o doente tem de passar por um processo que inclui a sua avaliação clínica, nutricional e psicológica.

Assim sendo, o melhor procedimento cirúrgico de tratamento da obesidade para um paciente depende das características específicas da sua doença, das suas preferências e das características de invasibilidade do procedimento. Caso sejam possíveis várias opções, essa escolha deverá também ter em consideração, para além dos apectos já mencionados, as características e preferências do doente e a experiência dos elementos da equipa cirúrgica. Depois de ultrapassada a fase difícil da operação e do período pós-operatório imediato, há ainda um longo árduo caminho percorrer, já que o preço da perda de peso, com os seus benefícios numerosos, é um investimento vitalício na manutenção dos resultados atingidos, o qual exige o esforço e o empenho de todos os doentes.

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